O trabalho do enfermeiro ao longo dos tempos, tem-se constituído em objeto de questionamentos e reflexões por parte dos profissionais e estudantes da área. Suas ações estão relacionadas com a prática da saúde, determinada pela totalidade social.
A enfermagem antiga se respaldava na solidariedade humana, no misticismo, no senso comum e em crendices. Atualmente, essa profissão procura aprofundar seus aspectos científicos, tecnológicos e humanísticos, tendo como centro de suas atividades, cuidar da saúde do ser humano. É uma ciência com campo de conhecimento fundamentais e práticas que abrangem do estado de saúde ao estado de doença.
Para a Associação Americana de Enfermagem (1979), " Enfermagem é o diagnóstico e o tratamento das reações humanas a problemas reais ou potenciais de saúde (IYER et al, 1993).
Segundo DANIEL (1981), a enfermagem é um " Processo" ou "Sistema" no qual se utilizam método, normas e procedimentos específicos, organizados e fundamentados em uma filosofia e objetivos definidos, visando conhecer e atender as necessidades básicas afetadas da pessoa humana.
De acordo com IYER et al (1993), as conceituações teóricas a cerca da enfermagem podem mudar de acordo com as posições ideológicas e filosóficas dos estudiosos da área.
Da mesma forma, a profissão da enfermagem, enquanto fenômeno histórico é influenciada pelas variáveis sócio-político e econômicas de cada época, estando sujeita portanto, a transformações em sua praxis no decorrer do tempo (SILVA, 1979).
Lima et al (1994) descreve as três fases distintas da evolução da enfermagem, sendo elas: a empírica ou primitiva, a evolutiva e a de aprimoramento.
Na fase empírica ou primitiva, não havia profissionais e a assistência aos doentes era prestada por leigos que usavam dos mais diversos meios de tratamento, mesmo sem recursos e conhecimentos.
Na fase denominada evolutiva, foi fundada a Escola de Enfermagem do Hospital Saint Tomas, que receberia após o nome de Escola de Enfermagem Nightingale, onde foram lançadas as bases de ensino com a preparação das primeiras enfermeiras.
Na fase de aprimoramento, a enfermagem passa a considerar o indivíduo como um centro de cuidados, com atendimento individualizado, visando salientar a inter-relação dos sistemas bio-psico-espirituais da pessoa humana.
No Brasil a enfermagem é exercida por três categorias profissionais: o enfermeiro com formação superior, o técnico e o auxiliar de enfermagem de nível médio.
CARVALHO & CASTRO (1979) referem que o profissional enfermeiro surgiu no Brasil, para atender a necessidade da saúde pública. No entanto, após 30 anos de crescimento institucional desordenado, sua prática foi dimensionada para assistência hospitalar, aspecto evidenciado em toda América Latina.
Apesar dos avanços técnico-científicos, observamos ainda uma tendência hospitalocêntrica com um "discreto" crescimento em outras áreas tais como na saúde coletiva, no ensino e na pesquisa. No entanto, esse "discreto" parece significar muito, se voltarmos os olhares para alguns anos atrás. Vivenciamos um processo de globalização, onde rápidas mudanças são exigidas, porém esse contexto parece não refletir na compreensão das pessoas acerca da enfermagem; visualiza-se que o espírito de solidariedade e religiosidade ainda permeia a percepção da sociedade em relação ao SER enfermeiro.
Segundo MOSCOVICI (1978), as representações sociais podem ser definidas como um conjunto de conceitos, afirmações e explicações originados no dia a dia e no desenrolar de comunicações inter-individuais. Considera que são entidades quase tangíveis; circulam, cruzam-se e se cristalizam incessantemente através de uma fala, um gesto, um encontro, no universo cotidiano.
Em geral, nós enfermeiros, quando não somos "chefe" ou "enfermeira padrão", somos freqüentemente confundidos com outros profissionais da enfermagem ou classificados como "ajudantes" ou secretária de médico", descaracterizando a realidade profissional.
Uma característica muito forte também ligada a imagem do enfermeiro é a "doença" ou "ambiente hospitalar", talvez pela prevalente atuação do profissional na área curativa.
Explicando a idéia acima citada, GASTALDO & MEYER (1989) afirmam que a enfermagem profissional já nasce vinculada ao hospital, o que talvez justifique seu enfoque predominantemente curativo, que persiste até os dias de hoje.
Comentam ainda, outra questão que permeia a figura da enfermeira, que é a necessidade de supervalorização da postura e da moral dos profissionais em detrimento do conhecimento técnico. A profissão é feminina por excelência, sendo assim, o cuidado à saúde como atribuição da mulher, passa a ser uma extensão do trabalho doméstico. A valorização de uma moral rígida é devido ao tipo de mulher (bêbadas, desqualificadas e prostitutas) que prestavam cuidados aos doentes como atividade remunerada.
HORTA (1975), enfatiza que algumas representações sociais do enfermeiro são mencionadas, porém a autora descreve como mitos da enfermagem, os quais denomina: enfermeira-dama de caridade, enfermeira-ajudante do médico, enfermeira-executora de técnicas, enfermeira-cuida de doentes e enfermeira-administrador. A autora trabalha cada um dos mitos e defende a idéia de que se faz necessário reverter essas concepções.
Enquanto formadores de futuros profissionais é fundamental o entendimento crítico dos conteúdos, que podem produzir as representações sociais do enfermeiro e a realidade a que se referem, como forma de subsidiar a sua proposta de transformação da prática social.
*ARTIGO COMPLETO http://www.fen.ufg.br/revista/revista1_1/Quem.html
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
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